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Essas promessas chamam a atenção. Afinal, quem não gostaria de aprender uma nova língua rapidamente?
Mas, antes de pensar em quanto tempo você levará para aprender inglês, gostaria de propor uma reflexão:
E se a pergunta mais importante não for “em quanto tempo vou aprender?”, mas “o que estou fazendo para aprender?”
Sou professor de Língua Inglesa há mais de dez anos e em minha caminhada profissional já está chegando à casa dos quinze, e posso dizer que aprender e ensinar uma língua é uma jornada que possui muitos desafios.
E existe algo que considero importante compartilhar com você: eu também continuo aprendendo.
Mesmo depois de tantos anos estudando e ensinando inglês, ainda encontro situações em que escuto um falante da língua inglesa e não compreendo imediatamente tudo o que ele disse.
E sabe de uma coisa? Isso é normal.
Você já teve dificuldade para entender alguém falando português?
Pense por alguns segundos.
Você está no Brasil, falando português, sua língua materna. Então aparece alguém do Rio Grande do Sul, do Pará, da Bahia ou do Rio de Janeiro.
A pessoa começa a conversar com você e, de repente, você percebe que algumas palavras, expressões, pronúncias ou até mesmo o jeito de falar são diferentes daquilo que você está acostumado a ouvir.
Talvez você pense: “O que ele quis dizer?”
Ou talvez precise perguntar: “O que significa isso?”
E tudo bem. A pessoa explica. Você entende. A conversa continua.
Ninguém deixou de falar português porque você não compreendeu uma palavra ou uma expressão. Então, por que deveria ser diferente quando estamos aprendendo inglês?
Inglês também tem sotaques, regionalismos e diferentes maneiras de falar
Quando começamos a estudar inglês, muitas vezes imaginamos que existe uma única maneira de falar a língua. Com o tempo, descobrimos que não é assim.
Uma pessoa pode falar de uma maneira que estamos acostumados a ouvir em nossos materiais de estudo. Outra pode falar mais rápido. Outra pode possuir um sotaque diferente. Outra pode utilizar uma expressão regional que nunca encontramos antes.

E talvez você não compreenda. Isso não significa que você não sabe inglês. Significa que você encontrou uma nova situação de comunicação.
E o que você pode fazer?
Perguntar.
Pedir para a pessoa repetir.
Ouvir novamente.
Tentar compreender pelo contexto.
Aprender aquela nova expressão.
E seguir a conversa.
É exatamente assim que aprendemos.
Quando começamos a aprender inglês, queremos traduzir tudo
Existe outra armadilha muito comum para quem está começando. Nós ouvimos uma frase em inglês e imediatamente tentamos encontrar uma tradução para o português. Isso acontece naturalmente. Afinal, durante toda a nossa vida, pensamos em português.
Quando alguém fala: “I’m hungry.”, nosso cérebro pode imediatamente procurar: “Eu estou com fome.” E isso faz parte do processo.
O problema aparece quando toda vez que ouvimos inglês precisamos passar primeiro pelo português para conseguir compreender o que está sendo dito. Aos poucos, precisamos começar a construir uma relação mais direta entre o inglês e aquilo que queremos comunicar. E isso não acontece de uma hora para outra. É construído com exposição e prática.
Antes de falar, precisamos ouvir
Costumo dizer aos meus alunos: “Ouça, ouça e depois pense em inglês.” Pode parecer simples. Mas existe uma razão para eu insistir tanto nisso.
Pense em como foi o início da sua própria alfabetização. Antes de você saber escrever uma única palavra, você já ouvia pessoas falando. Provavelmente ouviu sua mãe, seu pai ou seus responsáveis dizendo inúmeras vezes:
“Fala mamãe! Ma.mãe!”
“Fala papai! Pa.pai!”
“Bola, cachorro…”
Você ouviu essas palavras muitas e muitas vezes. Talvez, no começo, não conseguisse pronunciá-las corretamente. Você dizia algo parecido. E seus responsáveis provavelmente não respondiam: “Está errado! Você não sabe falar!” Pelo contrário. Eles repetiam a palavra corretamente. Você ouvia novamente. Observava a pessoa. Observava o objeto. Relacionava o som àquilo que estava vendo. E, depois de muitas tentativas, chegou um momento em que você conseguiu falar aquela palavra.
Você aprendeu porque ouviu.
Com o inglês, existe algo semelhante. É claro que aprender uma segunda língua não é exatamente igual ao processo pelo qual adquirimos nossa língua materna. Mas existe uma ideia importante nessa comparação: Precisamos ter contato com a língua para desenvolver nossa capacidade de compreendê-la e utilizá-la.
E é justamente aqui que vejo um dos grandes desafios de muitos estudantes de inglês. Nós ouvimos pouco. Às vezes, quase nada. Fazemos uma aula durante a semana, estudamos algumas regras gramaticais, fazemos exercícios, aprendemos algumas palavras e depois passamos vários dias sem ouvir inglês.
Então chega o momento de falar. E aparece a insegurança. “Será que estou falando certo?”, “Será que minha pronúncia está correta?”, “Será que vão entender o que estou dizendo?”
Essa insegurança é compreensível. Mas talvez uma das maneiras de enfrentá-la seja justamente aumentar o nosso contato com a língua.
Coloque o inglês dentro da sua rotina

Você não precisa transformar sua vida em um curso de inglês. Não precisa estudar cinco horas todos os dias. Não precisa passar o dia inteiro fazendo exercícios de gramática. Comece encontrando pequenos momentos para colocar o inglês na sua rotina:
🎧 Ouvir podcasts: Escolha conteúdos adequados ao seu nível e tente compreender o que conseguir.
🎬 Assistir a filmes e séries: Não precisa abandonar completamente as legendas. Utilize-as como uma ferramenta de aprendizagem e, aos poucos, experimente diferentes formas de assistir.
🎵 Ouvir músicas: Acompanhe a letra. Procure compreender expressões. Cante. Mesmo que sua pronúncia ainda não seja perfeita.
📖 Ler: Comece com textos adequados ao seu nível. Depois, aumente gradualmente a dificuldade.
🗣️ Falar: Converse com outras pessoas quando tiver oportunidade. Mas também fale sozinho. Descreva o que está fazendo. Faça perguntas. Responda. Leia em voz alta. Repita frases.
Você não precisa esperar alguém aparecer para começar a usar o inglês.
E se você conseguir ler em inglês, terá um grande aliado

Além de ouvir, existe outro hábito que pode fazer uma diferença enorme na sua caminhada: ler.
Quando você lê em inglês, encontra palavras e estruturas repetidamente. Uma palavra que parecia completamente desconhecida pode aparecer novamente em outro texto. Depois novamente. E novamente. Aos poucos, você começa a reconhecê-la. Você também começa a perceber como determinadas palavras aparecem juntas, como as frases são construídas e como determinadas ideias são expressas em inglês.
Não é preciso entender cada palavra para começar. Comece. Leia. Continue lendo.
E o Uncle Viny também continua aprendendo

Quero terminar essa primeira reflexão contando algo sobre a minha própria caminhada. Sou professor de Língua Inglesa há quase quinze anos e continuo estudando, digo que nós professores somos eternos alunos, jamais paramos de estudar.
Ainda hoje procuro maneiras de melhorar meu inglês. Ouço podcasts em inglês. Leio livros em inglês. Tenho uma Bíblia bilíngue. Utilizo um aplicativo em inglês para fazer meu devocional. Escuto músicas. Tenho aulas para praticar a fala sobre outros assuntos que muitas das vezes não falo em sala de aula, e para mim é satisfatório saber que eu também estou aprendendo expressões idiomáticas, phrasal verbs e seus diversos significados. Assisto a filmes e séries.
E continuo encontrando situações em que preciso parar, ouvir novamente, procurar uma palavra ou tentar compreender uma maneira diferente de falar. Isso não diminui minha experiência como professor. Pelo contrário. Isso me lembra que ser professor não significa deixar de ser aprendiz. E talvez essa seja uma das maiores lições que posso compartilhar com você.
Não tenha pressa. Tenha constância.

Talvez você esteja começando agora. Talvez já estude inglês há alguns anos. Talvez tenha parado várias vezes e esteja tentando começar novamente. Não importa exatamente onde você está. O importante é começar a construir uma relação mais frequente com a língua.
Não pense apenas: “Em quanto tempo vou aprender inglês?”
Pergunte: “O que posso fazer hoje para ter contato com o inglês?”
Leia uma página. Ouça um podcast. Assista a um vídeo. Aprenda algumas palavras. Repita uma frase. Fale sozinho. Converse com alguém. E, principalmente, continue ouvindo.
Porque uma língua não se aprende apenas sentado em uma sala de aula uma vez por semana. A aula é importante. O professor é importante. O método é importante. Mas a sua participação também é.
Uma reflexão do Uncle Viny:
Se eu pudesse dar apenas uma sugestão para quem está começando sua jornada no inglês, seria esta: Ouça. Ouça novamente. Continue ouvindo. E, aos poucos, permita que o inglês deixe de ser apenas algo que você traduz e comece a ser algo que você compreende.
Você não precisa entender tudo hoje. Você não precisa falar perfeitamente hoje. Você não precisa deixar de cometer erros. Você precisa continuar.
A caminhada é longa, mas cada palavra que você entende, cada frase que consegue falar e cada texto que consegue ler representa um pequeno avanço.
E lembre-se: Uma aula pode apresentar o caminho. Mas é a caminhada que faz você avançar.
Welcome to your English journey!
Uncle Viny




